Segmentação de contatos e consentimento: guia LGPD
Segmentar bem não é só sobre conversão — é também a forma mais direta de não estourar a LGPD numa campanha. Disparar para "todos os contatos" sem pensar em quem autorizou o quê é como um convite ao descadastro em massa (ou pior, a uma reclamação na ANPD). Este guia mostra como organizar contatos em grupos, usar campos personalizados e entender como o consentimento por canal entra na jogada antes de qualquer envio sair.
O que é segmentação de contatos, na prática
Segmentar é dividir sua base em recortes menores para mandar a mensagem certa para quem faz sentido — clientes de uma cidade, quem comprou um produto específico, quem tem uma consulta amanhã. No three-pulse isso é feito por meio de grupos de contatos: coleções nomeadas, com um contato podendo pertencer a vários grupos ao mesmo tempo (não é um sistema de tag livre por contato, é associação por grupo).
Grupos: manuais ou criados automaticamente na importação
Existem dois jeitos de um grupo existir: criado manualmente por você (nomeie e adicione contatos como quiser) ou criado automaticamente quando você importa uma planilha — a importação já organiza os contatos importados naquele momento num grupo próprio, sem precisar montar a lista na mão depois. Os dois tipos funcionam do mesmo jeito depois de criados: podem ser renomeados, usados como audiência de campanha e ter membros adicionados ou removidos a qualquer momento.
Campos personalizados: o dado por trás da segmentação e da mensagem
Cada contato guarda atributos livres — cidade, plano contratado, data de um compromisso, valor de uma fatura, o que fizer sentido para o seu negócio. Esses campos servem para dois propósitos ao mesmo tempo: aparecem como variáveis de mesclagem no template (substituídas pelo dado real de cada destinatário no envio) e ajudam a decidir quem vai para qual grupo. A tela de contatos mostra os nomes de campo já usados no workspace, o que ajuda a não criar "cidade" e "Cidade" como dois campos diferentes por descuido.
Importação por CSV: mapeamento e deduplicação
A importação lê o CSV, tenta identificar sozinha as colunas de e-mail e telefone (com opção de corrigir manualmente) e mostra uma prévia das primeiras linhas antes de confirmar. As demais colunas viram campos personalizados automaticamente. Contatos são conciliados por e-mail ou telefone já existente no workspace: quem já está cadastrado é atualizado com os dados novos, quem não está é criado — a importação inteira roda como uma operação só, então uma planilha que estoura o limite de contatos do seu plano não é parcialmente aplicada.
Consentimento por canal: separado do grupo
Grupo é sobre audiência (quem eu quero alcançar); consentimento é sobre permissão (quem autorizou aquele canal específico). São duas coisas guardadas separadamente no cadastro do contato: cada canal — e-mail, SMS, voz — tem seu próprio status de consentimento, com data e origem. Um contato pode estar no grupo "Clientes ativos" e, ainda assim, não receber um SMS daquele grupo se ele revogou o consentimento de SMS especificamente, mesmo continuando com e-mail autorizado.
Como o envio filtra automaticamente antes de disparar
Ao montar uma campanha, a audiência é "todos os contatos do workspace" ou um grupo específico — essa escolha define o universo inicial. Mas o universo inicial não é quem efetivamente recebe: antes do disparo, a plataforma cruza esse grupo com o consentimento do canal escolhido e com a lista de supressão (descadastro, hard bounce, exclusão via DSAR) e só envia para quem passa nas duas checagens. Isso acontece em toda campanha, automaticamente — não depende de alguém lembrar de filtrar a planilha antes de subir.
| Camada | O que verifica | Quando é aplicada |
|---|---|---|
| Audiência da campanha | Todos os contatos do workspace, ou só um grupo escolhido | Na montagem da campanha |
| Consentimento do canal | Se aquele contato autorizou e-mail, SMS ou voz especificamente | Antes do disparo, por contato |
| Supressão | Descadastro, hard bounce, reclamação ou exclusão (DSAR) | Antes do disparo, independe do grupo |
| Quem recebe de fato | Está no grupo (ou "todos") E tem consentimento válido E não está suprimido | Checado no momento do envio, não depois |
O que a segmentação ainda não faz
Vale ser direto sobre uma limitação: hoje não existe, na tela de campanha, um filtro dinâmico por valor de campo personalizado (algo como "todos com cidade = São Paulo") aplicado no momento do disparo — a audiência é "todos" ou um grupo já montado. Na prática, isso não impede segmentar por atributo: você monta o recorte no próprio grupo (nomeando-o pelo critério, ex.: "Clientes SP") e mantém os membros atualizados por importação recorrente ou pela API de contatos, em vez de depender de um filtro on-the-fly na hora de disparar.
Boas práticas: segmentar sem furar a LGPD
- Nomeie grupos pelo critério que representam ("Newsletter — consentimento", "Compromissos de amanhã") para não misturar bases com finalidades e bases legais diferentes no mesmo grupo.
- Nunca junte uma lista comprada com uma lista de consentimento próprio no mesmo grupo — trate como origens distintas.
- Revise as colunas mapeadas (e-mail, telefone) antes de confirmar a importação — um mapeamento errado manda mensagem para o contato errado.
- Lembre que remover um contato do grupo não é a mesma coisa que suprimi-lo: um contato descadastrado continua no grupo (a membership não muda), mas fica inelegível para receber em qualquer envio até a supressão ser revertida — o filtro de supressão é o que bloqueia o envio, não a saída do grupo.
- Rode a pré-checagem (preflight) da campanha antes de disparar — ela mostra quantos contatos do grupo escolhido realmente vão receber depois do filtro de consentimento e supressão, o que costuma ser menor que o total de membros do grupo.
Como montar um envio segmentado em 5 passos
- Importe seus contatos por CSV (ou use a API) — a importação já cria um grupo com o lote e transforma colunas extras em campos personalizados.
- Confira em Contatos quais campos personalizados já existem antes de criar um novo, para evitar duplicidade de nomes.
- Crie (ou ajuste) um grupo manual para o recorte que não veio pronto da importação, adicionando e removendo membros conforme o critério.
- Na campanha, escolha esse grupo como audiência e monte o template com as variáveis de mesclagem que fizerem sentido.
- Rode a pré-checagem antes de disparar e confira o relatório por destinatário depois — quem foi filtrado por falta de consentimento ou supressão aparece separado de quem recebeu.
Perguntas frequentes
Grupo e consentimento são a mesma coisa?
Não. Grupo define a audiência pretendida (quem eu quero alcançar); consentimento define a permissão por canal (quem autorizou receber e-mail, SMS ou voz). A plataforma cruza os dois antes de qualquer disparo — estar no grupo não garante o envio se o consentimento daquele canal específico não existir.
Dá para filtrar a campanha por valor de campo personalizado direto na tela de disparo?
Ainda não existe um filtro dinâmico por atributo no momento do disparo — a audiência é "todos os contatos" ou um grupo já montado. O jeito de segmentar por campo hoje é manter o recorte refletido no próprio grupo, atualizando os membros por importação ou API.
Um contato duplicado na importação vira dois cadastros?
Não. A importação concilia por e-mail ou telefone já existente no workspace — se encontrar, atualiza o cadastro; se não encontrar, cria um novo. Não duplica o contato.
O mesmo grupo pode ser usado para campanhas de e-mail e de SMS?
Sim — o grupo em si é neutro em relação a canal. A diferença acontece na hora do envio: o consentimento verificado é o do canal daquela campanha específica, então o mesmo grupo pode ter alcance diferente numa campanha de e-mail e numa de SMS.
Grupos criados pela importação funcionam igual a um grupo criado manualmente?
Sim. Depois de criado, um grupo de importação pode ser renomeado, ter membros adicionados ou removidos e ser usado como audiência de campanha do mesmo jeito que um grupo montado manualmente.
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